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22 maio 2012

Mensagem do Papa João Paulo II à "Fraternidade Católica de Comunidades e Associações da Aliança Carismática"


Queridos Amigos

1. "A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós" (2 Cor 13, 13)!

Esta é a minha saudação aos participantes no VIII Encontro internacional da Catholic Fraternity of Charismatic Covenant Communities and Fellowships, que nestes dias se está a realizar em Roma. O início do vosso encontro coincidiu com um momento extremamente significativo para toda a Igreja, mas de maneira especial para a Renovação Carismática: a solenidade do Pentecostes neste ano que, na nossa preparação para o Grande Jubileu do Ano 2000, é consagrado ao Espírito Santo – um ano em que estais empenhados de maneira particularmente intensa.

Na Carta Encíclica Tertio millennio adveniente, escrevi: "Entra, pois, nos compromissos primários da preparação para o Jubileu a redescoberta da presença e acção do Espírito, que age na Igreja quer sacramentalmente, sobretudo mediante a Confirmação, quer através de múltiplos carismas, cargos e ministérios por Ele suscitados para o bem dela" (n. 45).

Sem dúvida, o vosso próprio carisma impele-vos a orientar a vossa vida rumo a uma especial "intimidade" com o Espírito Santo. Uma análise dos trinta anos da história da Renovação Carismática Católica demonstra que ajudastes muitas pessoas a redescobrir a presença e o poder do Espírito Santo na própria vida, na vida da Igreja e na vida do mundo – uma redescoberta que em muitas delas levou a uma fé em Cristo, repleta de alegria e entusiasmo, a um grande amor pela Igreja e a uma generosa dedicação à sua missão. Por conseguinte, neste ano especial uno-me a vós numa oração de louvor e ação de graças por estes preciosos frutos que Deus desejou fazer amadurecer nas vossas Comunidades e, através delas, na Igreja.

2. Num certo sentido, a vossa reunião constitui uma parte do grandioso encontro dos Movimentos eclesiais e das novas Comunidades, que se realizou na Praça de São Pedro no dia 30 de Maio, vigília de Pentecostes. Desejei e aguardei esse encontro com ansiedade – um encontro de «comum testemunho». E hoje devo dizer que me comovi profundamente pelo espírito de recolhimento e oração, pela atmosfera de júbilo e celebração no Senhor que caracterizou esse evento, verdadeira dádiva do Espírito Santo no ano que Lhe é dedicado. Tratou-se de um intenso momento de comunhão eclesial e de uma demonstração da unidade dos inumeráveis e diferentes carismas que distinguem os Movimentos e as novas Comunidades eclesiais. Bem sei que nele participaram muitos representantes das Comunidades da Renovação, provenientes de todos os quadrantes do mundo, e estou-vos grato por isso.

Desde o início mesmo do meu ministério como Sucessor de Pedro, considerei os Movimentos como um enorme recurso espiritual para a Igreja e a humanidade, um dom do Espírito Santo para o nosso tempo, um sinal de esperança para todos os povos. Da Praça de São Pedro, no dia 30 de Maio, foi transmitida uma importante mensagem, uma palavra poderosa que o Espírito quis anunciar não só aos Movimentos, mas à Igreja inteira. Os Movimentos desejaram testificar a sua comunhão com a Igreja e a sua completa dedicação à própria missão, sob a orientação dos seus Pastores. Quiseram reconfirmar o seu desejo de colocar os próprios carismas ao serviço da Igreja universal, das Igrejas particulares e das Comunidades paroquiais. Estou convicto de que esse inesquecível evento será uma fonte de rica inspiração para o vosso encontro.

3. No contexto da Renovação Carismática, a Fraternidade Católica tem uma missão específica, reconhecida pela Santa Sé. Uma das finalidades enunciadas nos vossos estatutos é a salvaguarda da identidade católica das Comunidades carismáticas e o encorajamento permanente das mesmas, a fim de que conservem um estreito vínculo com os Bispos e o Romano Pontífice. Auxiliar as pessoas a terem um vigoroso sentido da própria pertença à Igreja é especialmente importante em tempos como o nosso, quando abundam a confusão e o relativismo.

Pertenceis a um Movimento eclesial. Aqui, a palavra «eclesial» é mais do que meramente decorativa. Ela implica uma tarefa específica de formação cristã e inclui uma profunda convergência de fé e vida. A fé entusiasta que inspira as vossas Comunidades constitui um grande enriquecimento, mas não é suficiente. Deve ser acompanhada por uma formação cristã sólida, compreensiva e fiel ao Magistério da Igreja: uma formação assente numa vida de oração, na escuta da Palavra de Deus e na digna recepção dos Sacramentos, de forma especial da Reconciliação e da Eucaristia. Para amadurecermos na fé, devemos crescer no conhecimento das suas verdades. Se isto não se verificar, corre-se o risco da superficialidade, do subjetivismo extremo e da ilusão. O novo Catecismo da Igreja Católica deveria tornar-se para cada cristão – e, por conseguinte para cada Comunidade da Renovação – um constante ponto de referência. É imperativo que vos confirmeis perenemente à luz dos «critérios de eclesialidade», por mim delineados na Exortação Apostólica Christifideles laici (n. 30). Como membros de um Movimento eclesial, uma das vossas características distintivas deveria ser sentire cum Ecclesia, isto é, viver em filial obediência ao Magistério da Igreja, aos Pastores e ao Sucessor de Pedro, e com eles construir a comunhão do corpo inteiro.


4. O lema do VIII Encontro internacional da Fraternidade Católica evoca as palavras de Cristo: «Vim para lançar fogo sobre a terra: e como gostaria que já estivesse aceso!» (Lc 12, 49). No contexto do Grande Jubileu de Jesus Cristo, Salvador do mundo, estas palavras ressoam com todo o seu vigor. O Filho de Deus feito homem trouxe-nos o fogo do amor e da verdade que salva. Na proximidade do novo Milênio, a Igreja escuta o chamamento, o apelo urgente do Mestre em ordem a um compromisso cada vez mais intenso na missão: «As espigas estão maduras [...] chegou o tempo da ceifa» (Mc 4, 29). Durante o vosso encontro, sem dúvida abordareis também este tema. Por conseguinte, deixai-vos guiar pelo Espírito Santo que é sempre o primeiro agente de evangelização e de missão.
Acompanho os vossos empreendimentos com as minhas orações, enquanto formulo sinceros votos por que este Encontro, que se realiza em circunstâncias repletas de significado, produza abundantes frutos espirituais para toda a Renovação Carismática católica. Oxalá constitua uma pedra angular no caminho da vossa preparação espiritual para o Grande Jubileu do Ano 2000! A todos vós, às vossas Comunidades e aos vossos entes queridos, concedo cordialmente a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 1 de Junho de 1998.

FONTE: www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1998/june/documents/hf_jp-ii_spe_19980601_carismatici_po.html

11 janeiro 2012

O Nascimento da RCC


 Crescimento

O fato de muitos canadenses estudarem em Notre Dame e outras universidades da Região dos Lagos, fez com que a Renovação Carismática fosse levada ao Canadá também em 1967, conhecendo aí um rápido crescimento.
Já em 1968 foi realizado nos EUA o primeiro congresso nacional, com 100 participantes; em 1969, 300; em 1970, 1.300; em junho de 1971, 5.000 e em 1972, 12.000.
Em 1973, aconteceu o primeiro congresso internacional em South-Bend, Indiana, contando com 25.000 participantes e outro em Roma, com 120 líderes de 34 países; em 1974, o segundo Congresso Internacional, em South Bend, reuniu 30.000 participantes vindos de 35 países, estando presentes 700 padres e 15 bispos. Em Roma houve, em 1974, um segundo Congresso, com 220 líderes, vindos de 50 diferentes países. Foi uma preparação para o terceiro Congresso Internacional, realizado de 16 a 19 de maio de 1975, que reuniu 10.000 participantes provenientes de 54 países.(18)
Entre os anos de 1970 – 80 a Renovação já estava presente em outros países de língua inglesa (Inglaterra, 1970-71; Austrália, 1970; Nova Zelândia, 1971) bem como da Europa Ocidental (França 1971-72; Bélgica, 1972; Alemanha, 1972; Itália, 1973; Espanha 1973-74; Portugal, 1974). Na Europa Oriental, a Renovação chegou apenas na Polônia (1976-77), já na América Latina, na maioria dos países, ela chegou entre 1970-74, quando também apareceu em países da Ásia, como Coréia (1971) e Índia (1972). Foi durante esta década que apareceram muitas comunidades carismáticas(19) . Os países onde elas inicialmente floresceram foram os Estados Unidos, França e Austrália. Delas as mais influentes foram: Word of God, Ann Harbor, Michigan (EUA); People of Praise, South Bend, Indiana (EUA); Aleluia, Augusta, Geórgia (EUA); Emmanuel, Brisbane (Austrália); Emmanuel, Paris (França); Chemim Neuf, Lyon (França); e Leão de Judá (mais tarde chamada de Beatitudes), Cordes (França). Essas comunidades tornaram-se responsáveis por organizarem muitos dos serviços da Renovação, tais como retiros, congressos e revistas de divulgação, onde destacam-se: a New Covenant (EUA), Il Est Vivant (França) e Feu et Lumière (França)(20).
Entre 1980-90 a Renovação Carismática ampliará suas relações com a hierarquia, durante este período haverá um esforço de aproximação entre os diversos países e a consolidação de organizações nacionais e internacionais.
Na década seguinte, marcada pela mudança de regime político do leste europeu, surgiram muitos grupos de oração nos países que compunham a antiga União Soviética. Também na África, Ásia e América Latina, muitos países têm registrado um crescimento da Renovação. Filipinas, Brasil e México estão entre os países com o maior número de participantes e grupos de oração.

3.2 Tamanho

David Barret e Tood Johnson, em um amplo levantamento quantitativo, realizado entre os anos de 1995 e 2000, apresentaram a expansão da Renovação Carismática, desde seu surgimento em 1967, com as primeiras reuniões de oração, até mais recentemente no ano 2000, com sua ampla difusão mundial (Tabela 1)(21) .

Tabela 1. Crescimento numérico da Renovação Carismática Católica, 1967-2000.

Participantes
%
Ano
No G.O
Semanal
Mensal
Anual
Envolvidos
Famílias
Comunidade
Cat.
1967
2
Primeiros Grupos de Oração Carismáticos formados nos Estados Unidos
0,0
1970
2.185
238.500
500.000
1.000.000
1.600.000
2.000.000
2.000.000
0,3
1973
3.000
900.000
2.000.000
3.500.000
5.000.000
7.000.000
8.000.000
1,1
1975
4.000
1.995.730
3.000.000
6.000.000
9.000.000
11.000.000
15.000.000
2,7
1980
12.000
3.000.000
4.771.390
7.700.000
16.000.000
30.000.000
40.000.000
5,0
1985
60.000
4.200.000
7.547.050
12.000.000
22.000.000
40.100.000
63.500.000
7,3
1990
90.000
7.000.000
10.100.000
17.000.000
30.000.000
45.000.000
85.000.000
9,2
1995
127.000
11.000.000
14.000.000
20.000.000
34.000.000
60.000.000
104.900.000
10,4
2000
148.000
13.400.000
19.300.000
28.700.000
44.300.000
71.300.000
119.900.000
11,3



A tabela indica que em 1970 já haviam grupos de oração em 25 países e em 1975, em 93. No ano de 2000 a Renovação Carismática encontrava-se presente em 235 países, por onde se distribuíam cerca de 148.000 grupos de oração.
Nesta pesquisa os participantes foram divididos em seis categorias: “semanal”, “mensal”, “anual”, “envolvidos”, “famílias” e “comunidade”. As quatro primeiras contabilizam pessoas adultas e as duas últimas incluem também as crianças.
Na primeira categoria encontram-se os que comparecem semanalmente a um grupo de oração, são considerados a “tropa de choque” da Renovação Carismática e estavam estimados no ano 2000 em aproximadamente 13,4 milhões pessoas.
A categoria “mensal” identifica os que participam nas reuniões de oração em uma ou mais vezes por mês, com aproximadamente 19,3 milhões de pessoas, e a categoria “anual”, com aproximadamente 28,7 milhões de pessoas, cobre os adultos com menos regularidade, que muitas vezes participam somente durante um congresso ou grande evento anual.
Os classificados como “envolvidos” são os que se identificam perante a opinião pública como católicos carismáticos, também são incluídos um grande número de católicos de movimentos de renovação. Correspondem a 44,3 milhões de pessoas.
Incluindo adultos e crianças, foram ainda quantificadas a categoria “família”, com um número 71,3 milhões de pessoas e a categoria chamada de “comunidade”, onde são contabilizados católicos carismáticos ativos, os que se tornaram irregulares ou menos ativos, os que atuam em outras atividades ou se tornaram inativos, perfazendo um total de 119,9 milhões de pessoas, o que representa 11,3% do total de católicos batizados.
Como podemos constatar, trata-se de um crescimento que não passa despercebido, a Renovação é sem dúvida um dos maiores acontecimentos religiosos da atualidade.
3.3 Organização

Desde o princípio, os integrantes da Renovação, para melhor promover suas atividades, sentiram a necessidade de organizarem-se, contando para isto com equipes de âmbito local, regional, nacional e internacional. Essas equipes têm como função promover uma articulação entre suas coordenações e garantir sua unidade.
O Grupo de Oração é a base da estrutura da Renovação Carismática. Organizados geralmente nas paróquias e liderados por leigos, eles são formados por um número variado de pessoas, em reuniões que acontecem semanalmente.
Muitos dos grupos de oração deram origem às comunidades carismáticas(22) , onde os laços de vida entre seus integrantes são mais estreitos. Estas comunidades têm várias estruturas, vocações, formas e graus de dedicação. Algumas delas foram muito importantes para o desenvolvimento e propagação da Renovação.
Além de encontros nos grupos de oração, os membros da Renovação Carismática se reúnem com alguma freqüência em encontros de oração, que ocorrem nos fins de semana, na forma de retiros visando aprofundar o conhecimento de Renovação e preparar novos líderes. Podem ser organizados em âmbito paroquial, diocesano, etc. Igualmente, em média uma vez por ano, ocorrem em cada Estado ou Diocese os Cenáculos que são grandes encontros que reúnem milhares de pessoas em estádios de futebol, ou ginásios esportivos, onde realizam-se dias de oração semelhantes aos que ocorrem nos grupos de oração.
Assim, a Renovação criou uma organização interna que lhe dá um elevado grau de maleabilidade: por um lado, cada grupo de oração goza de grande autonomia, podendo realizar suas reuniões conforme as necessidades específicas de seus membros; por outro, as equipes de coordenação, atuando por meio das atividades auxiliares, garantem à Renovação Carismática uma linha comum.(23)
Em Roma, a Renovação conta com um Escritório Internacional, que teve como origem um centro de comunicação que surgiu em Ann Arbor, Michigan. Esta cidade, tornou-se um centro de referência no início da Renovação Carismática nos EUA e como relata Ralph Martin:
Logo começamos a receber correspondência e visitantes do mundo inteiro. Um centro de comunicação internacional informal cresceu e acabou sendo formalizado no início da década de 70, sendo chamado de ICO (“International Communication Office” – Escritório Internacional de Comunicação)(24).
Em 1976, o Cardeal Suenens convidou Ralph Martin para mudar-se para Bruxelas na Bélgica. Indo para lá levou também o ICO, tornando-se o seu primeiro presidente. Em 1978, o escritório passou a ser formado por nove integrantes, que representavam os cinco continentes. Ao final deste ano Pe. Tom Forrest passa ser seu novo presidente e em 1981 o ICO foi transferido para Roma, passando a ser chamado de ICCRO (“International Catholic Charismatic Renewal Office” – Escritório Internacional da Renovação Carismática), tendo em sua presidência o Pe. Fio Mascarenhas da Índia (1981-87), que foi sucedido pelo Fr. Ken Metz dos Estados Unidos (1987-94).(25)
Através do ICCRO a Renovação sentiu a necessidade de solicitar à Santa Sé um reconhecimento oficial. Após um lento e rigoroso trabalho, realizado pelos membros do ICCRO e com o apoio de alguns bispos e cardeais, foram apresentados os “Estatutos do ICCRO”, que depois de analisados por teólogos e canonistas do Vaticano, passaram por alguns ajustes e foram aprovados em 8 de julho de 1993 com o titulo de “Estatutos ICCRS” (“International Catholic Charismatic Renewal Service” – Serviço Internacional da Renovação Carismática Católica)”, onde são detalhados sua natureza, objetivos e estrutura.(26)
Em 14 de setembro de 1993, através do Pontifício Conselho para os Leigos foi expedido o decreto de reconhecimento do ICCRS(27) . Do ano de 1994 até 2000, o ICCRS foi presidido por Charles Whitehead (Inglaterra) e a partir de 2000 tem à sua frente Allan Panozza (Austrália)(28) .
O ICCRS reúne seus membros com freqüência para discutir e planejar a Renovação em âmbito mundial. Realiza retiros e encontros internacionais, mantém um site na internet(29) e publica o "Boletim do ICCRS", com notícias e material de formação em inglês, francês, italiano, espanhol e português.
Outra organização internacional importante é a CFCCCF ("Catholic Fraternity of Charismatic Covenant Communities and Fellowships" - Fraternidade Católica das Comunidades de Aliança e Vida). Composta por mais de 50 comunidades espalhadas pelo mundo, teve em novembro de 1990, seus Estatutos reconhecidos pelo Pontifício Conselho para os Leigos. (30)
Na América Latina, sediado atualmente na cidade do México, há o CONCCLAT (Conselho Carismático Católico Latino Americano), um organismo continental criado em 1972 que tem como objetivo promover o intercâmbio e refletir sobre a experiência da Renovação Carismática nos ambientes culturais católicos latino-americanos. Através do CONCCLAT acontece a cada dois anos o ECCLA (Encontro Carismático Católico Latino Americano).
Ao mesmo tempo em que se estruturava no plano internacional, a Renovação também se organizava em âmbito nacional (vide RCC no Brasil)

21 novembro 2011

Entevista com Padre Antonello


Padre Antonello

"O repouso do Espírito é como um dom, um presente particular que Jesus dá às pessoas"


Fale um pouco sobre o fenômeno conhecido como repouso no Espírito Santo.

O repouso do Espírito é uma novidade que está aparecendo agora, nestes últimos 25, 30 anos. Antes, era muito menos espalhado esse dom. Era mais para os santos como Santa Gema Galgani, Santa Teresa D’Avila. Padre Pio me parece que recebeu os estigmas durante o repouso do Espírito, tanto que, lá em San Giovanni Rotondo está escrito: "Eu me senti cair, repousei e vi cinco flechas, raios, que tocavam as minhas mãos, os pés e o coração".
Então, somente alguns santos viveram essa graça. Agora, ela está mesmo "explodindo" em muitas pessoas, depois desta descoberta do Espírito Santo, depois do Concilio do Vaticano II. O repouso do Espírito é como um dom, um presente particular que Jesus dá às pessoas e onde as pessoas são penetradas, eu dizia como um "laser" que penetrasse violentamente uma parede de inox. E por que dou este exemplo? Porque nós com nosso corpo, músculos e nervos, somos fechados à ação de Deus, à ação dos outros e não acreditamos mais em nós mesmos...
Jesus, para falar aos nossos corações e curar nossas feridas, deve, através desse dom, penetrar esse "aço", que é o nosso corpo. Na presença desse sobrenatural, a pessoa não agüenta mais; cai no chão e lá, uma vez que se abandona nos braços de Deus, Jesus pode operar a maioria das curas que opera quando na maioria dos repousos do Espírito, são curas interiores, porque Deus quer fazer de nós, primeiramente, filhos verdadeiros, profundamente curados na interioridade de nosso ser, na liberdade de nosso inconsciente, que atrapalha demais o nosso mundo de hoje. Também, às vezes, cura fisicamente, porque você pode saber, como vocês todos da Internet podem saber, que no corpo a pessoa é uma coisa só, não só o físico, não só alma, espírito, mas sim num todo. E quando Jesus age, age por completo, na Sua maravilha. O que acontece: no repouso do Espírito a pessoa se sente renovada. Para terminar, como na transfiguração, onde Pedro, João disseram: "Meu Deus, deixe que fiquemos aqui, porque é muito belo o que vemos”. É Deus que se revela com sua força, com sua maravilha, é claro que, além do repouso do Espírito, desse êxtase que acontece na pessoa, precisa depois continuar a viver comprometida, porque senão o repouso do Espírito não tem efeito. Mas se a pessoa vive comprometida, se entrega completamente a Deus, é uma etapa fundamental para poder crescer.


O senhor está lançando o livro "Repouso no Espírito Santo". Quais os temas abordados neste livro?

Eu tive a idéia de escrever esse livro, porque no documento 53, da CNBB, os bispos pedem para poderem estudar, para poderem experimentar e estudar teologicamente estes dons: dons de língua, dons de cura, dons de ciência... entre eles o repouso do Espírito, e diz entre aspas aos bispos para terem cuidado para ser realmente uma coisa de Deus. Sendo que tenho 12, 14 anos de experiência com esse tipo de dom, de presente de Deus, decidi escrever esse livro onde eu trato dos vários momentos que acontece esse encontro íntimo com Deus, quando não é um encontro, em um repouso do Espírito, quais são os momentos que acontecem, quais são as dificuldades. Conto de muitas experiências, tento exemplificar alguns santos que receberam repouso do Espírito para, deles, dizer para todo mundo como é importante crescer nesse dom. É um livro de 140, 150 páginas, onde eu tentei colocar muitos testemunhos para poder mostrar que, também no povo de rua, no meio dos meninos de rua, acontecem graças maravilhosas: meninos que deixam drogas, alcoólatras que depois do repouso no Espírito não bebem mais e pedem para serem levados para a nossa casa de recuperação... tantas graças, tudo isso com o repouso do Espírito.

Faça uma oração pedindo o batismo do Espírito Santo para nossos internautas.

Neste momento, antes de rezar, gostaria que você se colocasse na serenidade do Espírito, pedindo que tudo o que é a Internet possa ser purificada, todos vírus, as maldades, todas as abominações, que possam ser destruídas neste momento e você, fechando os olhos, abandona-te, abandona-te completamente e deixa que Deus possa agora se colocar do seu lado, mover as suas mãos, teus dedos e, sobretudo, penetrar nas suas feridas, as suas mãos chagadas, dentro do seu coração. Eu lhe peço, Senhor Jesus, que o Senhor possa cuidar desses filhos e filhas que navegam na Internet. Que eles possam ter a força de superar as tentações de procurar coisas erradas, mas fiquem sempre abandonados, através da Internet, no Seu amor misericordioso. Que possam usar esse instrumento, Senhor Jesus, para poder espalhar a Sua verdade e a Sua palavra. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

19 novembro 2011

Como deve ser um Grupo de Oração!?


Apostila de nº 2 da Escola Paulo Apóstolo


1. Introdução:

O Grupo de Oração é a célula fundamental da Renovação Carismática Católica e caracteriza-se por três momentos distintos: núcleo de serviço, reunião de oração e grupo de perseverança. Pessoas engajadas na RCC, líderes e servos – através de encontros, orações e formação – buscam “fazer acontecer um processo poderoso de renovação espiritual, que transforma a vida pessoal do cristão e todos os seus relacionamentos com Deus, com a Igreja e a comunidade”. ² Grupo de Oração é uma comunidade carismática presente numa diocese, paróquia, capela, colégio, universidade, presídio, empresa, fazenda, condomínio, residência, etc, que cultiva a oração, a partilha e todos os outros aspectos de vivência do Evangelho, a partir da experiência do batismo no Espírito Santo, que tem na reunião de oração sua expressão principal de evangelização querigmática e que, conforme sua especificidade e mantendo sua identidade, se insere no conjunto da pastoral diocesana ou paroquial, em espírito de comunhão, participação, obediência e serviço. “O objetivo do grupo de oração é levar os participantes a experimentar o pentecostes pessoal, a crescer e chegar à maturidade da vida plena do Espírito, segundo os desejos de Jesus: 'Eu vim para que as ovelhas tenham vida e a tenham em abundância' (Jo 10,10b)”.³ Aqui, o Grupo de Oração será estudado em seus três momentos distintos: núcleo de serviço, reunião de oração e grupo de perseverança, com base em Atos 2, 1-47. É necessário discorrer, de forma prática, sobre cada momento do Grupo de Oração e sobre como levar os seus participantes à vivência do batismo no Espírito Santo, para uma vida de santidade e serviço. Mas, antes, é preciso descrever a missão do coordenador do Grupo de Oração. “Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor” (Col 3, 23-24).

2. O coordenador do Grupo de Oração

Cada grupo de oração deve ter um coordenador que, junto com o núcleo de serviço, num trabalho conjunto, é responsável por ele:
“O papel do chefe consiste, principalmente, em dar exemplo de oração na própria vida. Com esperança fundada e solicitude cuidadosa, toca ao chefe assegurar que o multiforme patrimônio da vida de oração na Igreja seja conhecido e aplicado por aqueles que procuram renovação espiritual, meditação sobre a Palavra de Deus, uma vez que a ignorância da Escritura é ignorância de Cristo (...) Deveis estar interessados em proporcionar comida sólida para a alimentação espiritual, partindo o pão da verdadeira doutrina..”.4
É importantíssimo que o coordenador seja uma pessoa de intimidade com Deus, de intensa vida de oração e de escuta, para que Jesus seja o Senhor do Grupo de Oração e o Espírito Santo conduza.
O líder a serviço é aquele que orienta e conduz. Liderança não é dominação; a liderança espiritual é diferente da liderança humana. Coordenar não é fazer tudo, não é autoritarismo, mas sim distribuir os trabalhos, ouvindo a vontade do Senhor na oração, para colocar cada pessoa na atividade certa.
O modelo de líder é Jesus. Por isso, o coordenador deve estar sempre a serviço (cf. Mt 20, 25-28). A prioridade do serviço é o amor. O coordenador, conhecendo as necessidades das pessoas que participam do Grupo de Oração, agindo com toda sabedoria e discernimento do Espírito, deve buscar a unidade do grupo. “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17, 21).
O coordenador não deve fazer nada mecânica ou superficialmente. A obra do Senhor e, por isso, é necessário fazer tudo com amor e por amor. Para isso, deve pedir os dons do Espírito Santo, principalmente os da Sabedoria, Entendimento e Discernimento: “A sabedoria do coordenador alimenta-se permanentemente de sua experiência de Deus e do relacionamento pessoal e profundo com Ele... Aliás, a experiência de Deus Pai, de Jesus vivo e do Espírito Santo é o fundamento da vida cristã e a graça maior do batismo no Espírito Santo”.5
É importante que o coordenador observe outros coordenadores e troque experiências, bem como visite outros grupos para absorver os frutos da oração comunitária de maneira mais livre, sem que esteja na condução da reunião. Experiências bem sucedidas podem enriquecer outros grupos de oração. Em resumo, são características do bom coordenador:

● Aberto, acolhedor, não se abate facilmente, é artífice da unidade e da paz (cf. 2 Tim 1, 6-9);
● Organizado, obediente, de boa intenção (cf. Bar 6, 59-62);
● Tem consideração com os outros (cf. 1 Tes 5, 12,13)
● Caminha no Espírito (cf. Gl 5, 24-26);
● Tem domínio, encorajando os tímidos, controlando os faladores;
● Tem zelo, ordem, compromisso e pontualidade;
● Tem uma mentalidade aberta à ação do Espírito Santo, que quer transformar sem cessar;
● É conhecedor da doutrina da Igreja.

Ainda, é necessário que o coordenador:
● Dê oportunidades a todos;
● Apóie e reconhecimento o crescimento do irmão;
● Faça servos líderes, melhores que ele;
● Não resista às mudanças (cf. Rm 12, 2);

Cabe também ao coordenador discernir com o núcleo de serviço as necessidades do Grupo de Oração e, a partir daí:
● Usar criatividade nas reuniões de oração;
● Proporcionar seminários, retiros de primeira experiência, aprofundamentos de finais de semana;
● Encaminhar para eventos da RCC e outros;
● Aproveitar todas as oportunidades para o crescimento, a perseverança e a santidade de cada um.

O coordenador é um líder. O Grupo de Oração precisa de sua liderança fiel ao Senhor, sábia e santa. “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi a vós e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda” (Jo 15, 16).


3. O núcleo de serviço: primeiro momento do Grupo de Oração

O Grupo de Oração não se resume à reunião de oração, embora esse seja o seu momento peculiar. Há necessidade de se ter uma caminhada programada que considere as necessidades dos participantes e como fazer para supri-las de forma contínua e com qualidade.
Um bom planejamento para o Grupo de Oração abrange todos os serviços e ministérios, e assim pode-se trabalhar de forma coordenada porque cada um sabe o que fazer, e todos sabem para onde estão indo. Inclui também mecanismos para desenvolver o crescimento e a perseverança dos membros, introduzindo-os numa experiência comunitária e catequética.
Todo grupo de oração carismático tem sua coesão, boa ordem, planejamento e continuidade assegurados pelo núcleo de serviço, que é um pequeno grupo de servos que assume o grupo todo em sua espiritualidade e estrutura. As finalidades do núcleo são: 6

a) Avaliar o que Deus fez em cada reunião de oração, não dizendo “foi bom” ou “deveria ter sido melhor”, mas discernindo em oração o que Deus disse. Pode-se avaliar como foi a reunião respondendo, com todo o núcleo, a alguns questionamentos, tais como: “Houve ensinamento?”, “Os louvores foram cheios de amor e alegria?”, “Os cantos foram ungidos e levaram o povo a louvar?”, “Como foi a acolhida?”, “Houve profecias?”, “Houve testemunhos?”. “Como foi a evangelização?”, “Foi enriquecedora a manifestação da caridade, da fraternidade, da comunhão?”, etc.

b) Acompanhar e assistir os fiéis que estão no grupo em sua necessidades pessoais (doenças, dificuldades de oração, perda de paciência, ausência nas reuniões, etc) encaminhando-os aos serviços (intercessão, cura e libertação, cura interior, grupo de perseverança, etc).

c) Revezar-se na condução da reunião de oração, sempre em um clima de fraternidade e cooperação.

d) Interceder constantemente pelo Grupo de Oração do qual faz parte.

e) Preparar as reuniões do Grupo de Oração, distribuindo os serviços e responsabilidades, escolhendo, preparando a pregação e rezando por aqueles que desempenharão alguma função.

Os membros do núcleo de serviço do Grupo de Oração devem ser bem formados e profundamente dados à oração, treinados no discernimento comunitário, obedientes e dispostos a dar a vida no serviço do Senhor.
Como o próprio nome diz, núcleo de serviço é um serviço do Grupo de Oração (At 6, 1-7); é um grupo de pessoas a serviço dos irmãos. As pessoas que o integram devem assumi-lo como um chamado do Espírito.
Fazer parte do núcleo não é condição de destaque, mas posto de serviço aos irmãos, para que Jesus seja o destaque em suas vidas. O objetivo do núcleo de serviço é louvar, orar, interceder pelo grupo, discernir e aplicar a orientação para o grupo. Sua missão é evangelizar e formar os membros do grupo e levá-los a uma profunda experiência com Deus, de vida no Espírito Santo, inserindo-os no conjunto da Igreja. “Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis” (I Cor 4, 1-2).
O perfil ideal do participante do núcleo inclui:
● Constância nas reuniões de oração;
●Frutos de conversão;
● Responsabilidade;
● Maturidade humana e espiritual;
● Carisma de liderança;
● Senso eclesial;
● Relativa aceitação comunitária, entre outras características.

Nem sempre a pessoa que “reza mais” ou aquela mais “espiritual” é a mais indicada para fazer parte do núcleo. No geral, o coordenador deve escolher seus auxiliares em oração e com bastante cautela e discernimento.
Geralmente as pessoas precisam de algum tempo de caminhada no Grupo de Oração antes de fazerem parte do núcleo de serviço. As pessoas menos indicadas para pertencerem ao núcleo de serviço são: as que têm algum desequilíbrio emocional/psíquico ou carências afetivas muito fortes; as que se relacionam mal e perturbam a paz; pessoas autoritárias, imaturas no uso dos carismas ou que tenham restrições à doutrina da Igreja. Também é preciso tomar cuidado com aqueles que utilizam o núcleo para tentarem solucionar problemas pessoais ou para se auto-afirmarem.

3.1. A reunião do núcleo de serviço

A reunião do núcleo é o momento da experiência de Pentecostes, como que a repetição do cenáculo vivido pelos primeiros cristãos (cf. At 2, 1-4). Na reunião do núcleo, cada participante vai ficar motivado e vai motivar o Grupo de Oração a partir de sua experiência. A reunião de oração deve transbordar a experiência que o núcleo de serviço teve, pois S. Pedro, em seu discurso, afirmou que o Espírito Santo estava sendo derramado e era possível ver e ouvir isto (cf. At 2, 33). Daí brota a pregação, que supera as expectativas de todo o povo. Então, a experiência do núcleo é base para toda motivação do povo.
A motivação é o amor de Deus. O núcleo tem que rezar para que o Pentecostes se repita para ele e para todos aqueles que são chamados de acordo com a vontade de Deus (cf. At 2, 39).
O núcleo de serviço do Grupo de Oração deve reunir-se semanalmente, com dia e horário definido, para melhor exercer seu apostolado (cf. 1 Cor 14, 33); e deve haver sigilo absoluto do que ali for tratado (cf. Sl 140, 3). Antes de mais nada, rezar, rezar e rezar; insistir, a exemplo dos apóstolos após a libertação de Pedro e João (cf. At 4, 23-31), que o Senhor derrame nova e abundantemente seu Santo Espírito e que renove as manifestações dos carismas.


4. Ministérios no Grupo de Oração

O termo “ministério” é amplamente usado na Renovação Carismática para designar de uma maneira geral os diversos serviços do Grupo de Oração. São estes os mais comuns: ministério de cura, ministério de cura, ministério de música, ministério de intercessão, ministério de pregação, entre outros.
Um ministério é um serviço específico dentro do Grupo de Oração. É um trabalho para servir à comunidade cristã, uma maneira de exercitar o apostolado. Cada batizado é chamado a crescer, amadurecer continuamente, dar cada vez mais fruto na descoberta cada vez maior de sua vocação, para vivê-la no cumprimento da própria missão.
“Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor” (1 Cor 12, 5). Fazendo esta afirmação, São Paulo coloca todos os ministérios - serviços- em submissão a Jesus Cristo e dentro de um contexto de comunhão eclesial (cf. também Ef 4, 11-16).
As equipes ou ministérios devem ser formados na medida da necessidade e da realidade de cada Grupo de Oração. Seus membros devem ser escolhidos em oração e de acordo com os vários dons que surgem. Para cada necessidade há pessoas ungidas pelo Espírito para seu atendimento:
“Temos dons diferentes, conforme a graça que nos foi conferida. Aquele que tem o dom de profecia, exerça-o conforme a fé. Aquele que é chamado ao ministério, dedique-se ao ministério. Se tem o dom de ensinar, que ensine; o dom de exortar, que exorte; aquele que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade; aquele que preside, presida com zelo; aquele que exerce a misericórdia, que o faça com afabilidade” (Rm 12, 6-8).

“A cada uma é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito; a outro o dom de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas” (1 cor 12, 7-10).

As pessoas que formarão as diversas equipes, para os diversos serviços do grupo de oração devem ser recrutadas dentre aquelas que já se identificam com a espiritualidade da RCC e que possuam alguma experiência dos carismas e sejam disponíveis.

Deus chama cada um dos seus fiéis a exercer um serviço específico dentro da sua Igreja, com a finalidade de cada vez mais edificar o Corpo de Cristo. Cada batizado deve desempenhar a missão que Deus lhe deu e para a qual o capacitou com o objetivo de que todos cheguem a unidade da fé e à plenitude do conhecimento de Cristo e assim sejam novas criaturas. Quando a missão é desempenhada, vivida com grande amor, a caridade é evidenciada (cf. 1 Cor 13, 4-8ª).

4.1. Cada ministério é sustentado por carisma específico
Os ministros exercem seu serviço participando do ministério de Jesus. Portanto, ministério é um serviço prestado a Comunidade com a capacitação dos carismas. “Ministério é, antes de tudo, um carisma, ou seja, um dom do Alto, do Pai, pelo Filho, no Espírito, que torna seu portador apto a desempenhar determinadas atividades, serviços e ministérios em ordem à salvação”7
Todos os cristãos têm os carismas do Espírito Santo na medida da necessidade da comunidade, mas exercem um ministério específico que depende mais de um carisma do que do outro. Por exemplo, o ministro de cura necessita muito mais do carisma de cura; o coordenador do grupo de oração necessita da palavra de sabedoria e do discernimento e assim por diante. No entanto, apesar de serem estes os carismas mais específicos destes ministérios, nenhum carisma existe ou pode ser exercido isoladamente. Seja qual for o ministério ao que o Senhor nos chama, necessitamos sempre do auxílio de todos os carismas para exerce-lo com o poder de Deus.
Ao instituir seus ministros, Deus os capacita para exercerem sua missão, que sempre terá como objetivo a glorificação de Deus e a conversão de seus filhos. Por isso, Ele dota seus ministros dos dons, dos talentos e das aptidões que eles vão precisar para exercer os ministérios, de tal foram que possam contar sempre com a sua graça, a fim de não cair na tentação da auto-suficiência e de um exercício simplesmente humano de serviço a Igreja.
“Mas, só pode ser considerado ministério o carisma que, na comunidade e em vista da missão na Igreja e no mundo, assume a forma de serviço bem determinado.”8

4.2. A autoridade do ministro é exercida na autoridade de Jesus

A autoridade do ministro vem da autoridade de Jesus Cristo. É um dom do Espírito Santo; e isto é o que faz diferença entre a sua e as outras autoridades. Não é uma simples delegação de poder, mas o ministro participa da missão de Jesus. Ele exerce o seu ministério como o próprio Jesus exerceria. (cf. Jo15, 16).
Portanto, o ministro ao exercer seu serviço hoje, conta com o mesmo poder de Jesus Cristo (cf. Jo 14, 12). O poder é de Jesus; então, nada de orgulho, nada de se achar o melhor, o mais santo. O ministro deve saber separar as coisas e reconhecer que toda a obra boa que realiza vem de Jesus epor mais que realize grandes e muitas coisas, é sempre servo inútil (cf. Lc 17, 10). Um servo olha não para as obras de suas mãos, mas para o autor que é Deus. Nunca deve atribuir a si os méritos das obras que realiza, mas unicamente a Ele.

4.3. O Espírito Santo é a fonte dos ministérios

É importante a consciência de que todos os serviços prestados ao reino de Deus, em nome de Jesus Cristo, em última análise, de origem divina, acontecem sob a ação do Espírito Santo. É Ele quem dá a força para testemunhar Jesus Cristo “até os confins da terra” (cf. At 1, 8). Os ministros devem realizar sua tarefa sob o influxo do Espírito Santo. É Ele que os cumula de carismas; sem Ele a missão será de baixa eficiência, fraco desempenho, ausência de criatividade, de zelo e de perseverança.
O Espírito Santo comunica ao ministro sua força e o capacita para a ação de servir à comunidade. Foi o que aconteceu com os apóstolos e com os discípulos de Jesus em Pentecostes (cf. At 2, 1-13); com os diáconos, após a oração feita sobre eles (cf. At 6, 1-7); e com Paulo, após a imposição das mãos de Ananias (cf. At 9, 10-30). Com a ação do Espírito Santo, todos se tornaram intrépidos ministros do Senhor. O desinteressado e oblativo exercício dos ministérios torna-os fontes de santificação para quem os exerce.

5. Fundamentação Doutrinária

A título de “fundamentação doutrinária” seguem em destaque alguns textos do Magistério da Igreja, para consulta e aprofundamento:

a) “Munidos de tantos e tão salutares meios, todos os cristãos de qualquer condição ou estado são chamados pelo Senhor, cada um por seu caminho, à perfeição da santidade pela qual é perfeito o próprio Pai” (Lúmen Gentium, 11).
b) “A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, da mesma forma que ao próprio Corpo do Senhor, já que principalmente na sagrada Liturgia, sem cessar toma da mesa tanto da palavra de Deus quanto do Corpo do Cristo, o pão da vida, e o distribui aos fiéis. Sempre as teve e tem, juntamente com a Tradição, como suprema regra de sua fé porque inspiradas por Deus e consignadas por escrito de uma vez para sempre, comunicam imutavelmente a palavra do próprio Deus e fazem ressoar através das palavras dos Profetas e Apóstolos a voz do Espírito Santo” (Dei Verbum, 21).
c) “Impõe-se pois a todos os cristãos o dever luminoso de colaborar para que a massagem divina da salvação seja conhecida e acolhida por todos os homens em toda a parte. Para exercerem tal apostolado, o Espírito Santo – que opera a santificação do povo de Deus através do ministério e dos sacramentos – confere ainda dons peculiares ao fiéis (cf. 1 Cor 12, 7), distribuindo-os a todos, um por um, conforme quer (1 Cor 12, 11), de maneira que cada qual, segundo a graça que recebeu, também a ponha em serviço de outrem e sejam eles próprios como bons dispensadores da graça multiforme de Deus (1 Ped 4, 10), para a edificação de todo o corpo na caridade (cf. Ef 4, 16). Da aceitação destes carismas, mesmo dos mais simples, nasce em favor de cada um dos fiéis o direito e o dever de exerce-los para o bem dos homens e a edificação da Igreja, dentro da Igreja e do mundo, na liberdade do Espírito Santo, que sopra onde quer (Jo 3,8), ao mesmo tempo na comunhão com os irmãos em Cristo” (Apostolicam Actuositatem, 3).
d) “A formação dos fiéis leigos tem como objetivo fundamental a descoberta cada vez mais clara da própria vocação e a disponibilidade cada vez maior vive-la no cumprimento da própria missão.
Deus chama-me e envia-me como trabalhador para a sua vinha; chama-me e envia-me a trabalhar no advento do seu Reino na história: esta vocação e missão pessoal define a dignidade e a responsabilidade de cada fiel leigoe constitui o ponto forte de toda ação formativa, em ordem ao reconhecimento alegre e agradecido de tal dignidade e ao cumprimento fiel e generoso de tal responsabilidade.
Com efeito, Deus, na eternidade pensou em nós e amou-nos como pessoas únicas e irrepetíveis, chamando cada um de nós pelo próprio nome, como o bom Pastor que chama pelo nome as ovelhas (Jo 10, 3). Mas o plano eterno de Deus se revela a cada um de nós com a evolução histórica da nossa vida e das suas situações, e, portanto, só gradualmente: num certo sentido, dia a dia” (Christifidelis Laici, 58).
e) “A graça é antes de tudo e principalmente o dom do Espírito que nos justifica e nos santifica. Mas a graça compreende igualmente os dons que o Espírito nos concede para nos associar à sua obra, para nos tornar capazes de colaborar com a salvação dos outros e com o crescimento do Corpo de Cristo, a Igreja. São as graças sacramentais dons próprios dos diferentes sacramentos. São além disso as graças especiais, designadas também “carismas”, segundo a palavra grega empregada por S. Paulo, e que significa favor, dom gratuito, benefício. Seja qual for o seu caráter, as vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, os carismas se ordenam à graça santificante e têm como meta o bem comum da Igreja. Acham-se a serviço da caridade, que edifica a Igreja (Catecismo da Igreja Católica, 2003).



1. Alírio Pedrini, Grupos de oração, p.13
2. Ibid, p.14
4. João Paulo II apud Renovação Carismática Católica, Liderança da RCC, p.54
5. Alírio Pedrini, Grupos de oração, p.25-26
6. Emmir Nogueira et al, Grupo de oração, p.7.
7. CNBB, Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas, n. 84.
8. Ibid, n.85